Varejo de material de construção mantém perspectivas positivas para o próximo semestre

Varejo de material de construção mantém perspectivas positivas para o próximo semestre

Apesar de fatores como alta das commodites, taxa de câmbio elevada, que pressionaram os preços dos produtos e deixaram o ritmo de recuperação mais lento, o varejo de material de construção tem uma percepção otimista sobre o desenvolvimento do setor.

De acordo com pesquisa realizada mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre) para Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), entre os lojistas, os números sugerem maior polarização entre as respostas otimistas (33%) e pessimistas (23%) dos lojistas que responderam. Considerando as revendas de acordo com o número de empregado, houve piora na avaliação das empresas menores. Nas lojas com até quatro empregados as assinalações positivas sobre as vendas nos últimos três meses passaram de 23% para 14%; nas lojas com cinco a nove empregados, de 26% para 18%.

Já os home centers (mais de 99 empregados), a pesquisa constatou otimismo em junho, com 62% de respostas positivas frente a 52% no mês anterior.

Como em maio, a percepção de estabilidade nas vendas do mês de junho foi predominante em todos os segmentos de especialização, exceto no caso de revestimentos cerâmicos. Nesse segmento, as assinalações de alta superaram as demais, apesar de terem recuado de 56% para 42%. 

Foto: Divulgação Visual Materiais de Construção

Para o presidente da Associação dos Comerciantes de Materiais de Construção de Porto Alegre (Acomac), sócio-proprietário da Visual Materiais de Construção, Jaime Silvano, com a pandemia houve instabilidades em todos os quesitos, incluindo o setor de construção com altos e baixos e principalmente, na grande falta de commodities, como aço, PVC e produtos cerâmicos, como pisos e tijolos. “Além da falta, houve um aumento expressivo nos preços, de 30% a 100%, dependendo do produto, no entanto, no momento atual há certa estabilidade. Quanto à oferta de produtos, está quase normalizada, com exceção de pisos cerâmicos, que estão sendo destinada à exportação, por conta da alta do dólar, deixando o mercado interno desabastecido”, afirma.

O diretor comercial da Telhanorte Tumelero, Rodrigo Pothin analisa que no primeiro semestre deste ano, a alta de matérias-primas como minério de ferro e alumínio e a onda de desvalorização do real frente ao dólar pressionaram os preços do varejo de material de construção. “Trabalhamos com um planejamento de compras mais longo que no passado, assegurando uma melhora significativa, através da parceria com nossos fornecedores, na disponibilidade de produtos aos nossos clientes”, afirma.

Foto: Divulgação JJ. Mix Materiais de Construção

Os sócios-diretores da JJ. Mix Comércio de Materiais de Construção Ltda, Silvia Bona e Jader Finkler Ferreira também relatam que os altos e baixos da construção civil derivados da pandemia continuam dificultando a administração, e, é no dia a dia que os problemas são solucionados. Segundo os empresários, o aumento de preços, falta de alguns itens e o não retorno dos fabricantes a respeito de produtos causa inconveniente com os clientes, pois muitos possuem projetos em andamento e prazos para concluírem. Uma solução encontrada pela empresa foi a substituição de produtos de determinada marca por outros, a fim de atender as necessidades de seus clientes. “A estratégia correta seria trabalhar com prazos maiores e estoques maiores, mas que também resolveriam apenas momentaneamente a situação atual que o mercado enfrenta’, afirmam os sócios.

Reformas e vendas on-line mantém ritmo do segmento

A priorização do lar e da qualidade de vida impulsionou as reformas no período. “Certamente com pandemia, as pessoas ficaram mais em casa e sentiram a necessidade de melhorarem seus lares, fazendo com que se importassem mais, com a qualidade de vida e passaram sim a gastar mais, com reformas e melhorias”, declara Silvano. 

Segundo Pothin, ao longo deste período houve um aumento significativo nas vendas. “Fechamos o ano passado com crescimento de dois dígitos, acompanhando um movimento de crescimento gradativo desde maio. Nosso e-commerce também tem apresentado ótimos resultados: ele mais que triplicou de tamanho desde o início da pandemia”, afirma.

Foto: Divulgação Telhanorte Tumelero

De modo geral, o diretor comercial da Telhanorte Tumelero ressalta que o setor de material de construção como um todo se beneficiou pelo movimento do “home centric”, em que as pessoas fazem tudo de casa. “Mas acreditamos que, somado a essa tendência de a casa passar a ter uma atenção maior, esses bons resultados que tivemos é fruto das diversas iniciativas que temos colocado em prática desde o início da pandemia, o que nos aproximou ainda mais dos clientes”, complementa. 

Para atender a demanda, a empresa criou diversos serviços para os clientes, como: o atendimento personalizado via WhatsApp, o Ajuda Ao Vivo, que visa auxiliar os clientes que realizam compras de produtos selecionados via e-commerce da Telhanorte ou via drive-thru, dentre outros. 

Já a JJ. MIX, conta atualmente com vendas diretas a cliente no balcão, vendas on-line e tele-entrega. “Pequenas reformas contribuíram para o aumento do faturamento de nossa empresa. Desde o início da pandemia, a JJ MIX observou uma mudança no perfil de seus clientes, havendo um aumento significativo do consumidor final, compras direto no balcão”, afirmam os sócios-diretores, Silvia Bona e Jader Finkler Ferreira.

Perspectivas otimistas 

A evolução favorável das vacinações contra o Covid-19, a redução do número de internações e de mortes, assim como a provável normalização dos valores de commodities contribuem para uma perspectiva otimista. Para Pothin, a expectativa é que as vendas se mantenham em um patamar positivo. “O segundo semestre concentra um dos principais momentos do ano para o setor, quando as pessoas realizam melhorias na casa, visando às comemorações de fim de ano”, explica. 

A JJ. MIX mantém se esperançosa. “Ficamos na torcida que continue o faturamento aumentando gradativamente, mas é preciso ter uma regularidade em alguns itens que estão em falta. E que os materiais parem de subir os valores, do contrário o mercado pode entrar num colapso acarretando em pessoas e empresas endividadas e podendo chegar a uma recessão”, analisam.

O presidente da Acomac Porto Alegre e sócio-proprietário da Visual Materiais de Construção, Jaime Silvano declara expectativas para o próximo semestre são boas. “Temos um imenso mercado da construção civil a ser trabalhado devido à carência de habitações no Brasil. Somando-se a isso, o governo federal tem tomado medidas para ajustar o câmbio, principalmente com o ajuste da taxa Selic, em, pelo menos, dois pontos percentuais, que farão com que nossa economia se aqueça rapidamente, principalmente levando-se em conta, que a pandemia está sendo controlada, através da vacinação e que dentro de no máximo dois meses, já teremos a totalidade da população brasileira vacinada e imune, que será muito bom para a economia e o crescimento de nossos negócios”, avalia.

By |03/09/2021|Comentários desativados em Varejo de material de construção mantém perspectivas positivas para o próximo semestre
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